sexta-feira, 6 de novembro de 2020

AMERICANAS 2020

 




Qualquer que seja o seu resultado, as eleições americanas de 2020 vão fazer parte dos documentários do Canal História (ou seu equivalente tecnológico) de daqui a 100 anos. Como tudo o que se refere a este ano sem pé nem cabeça, engendrado por alguma divindade de ressaca. Se o planeta ainda estiver girando no mesmo sentido até o próximo século, estes doze meses que (espero com ansiedade) terminarão no último dia de dezembro serão esquadrinhados por analistas horrorizados. Como foi possível?...

Mais um ícone desfigurado pela máquina de moer carne de 2020, o processo eleitoral no nosso grande irmão do Norte sempre fora para mim, desde o momento em que balbuciei pela primeira vez a palavra Democracia, a corporificação santificada do Governo do povo, para o povo e pelo povo. Que inveja no meu tenro coração tupiniquim. Um pleito limpo como os lençóis dos comerciais do OMO, uma apuração segura e precisa, que nem o tic tac do meu Omega de pulso. No final, vencido e vencedor sorrindo para as rolleyflex dos repórteres, desejando o melhor para a Nação. Tudo em vibrante Technicolor, enquanto aqui em Pindorama havia votos de cabresto, urnas violadas, derrotados saindo pela porta dos fundos.

Agora, o filme a cores já não parece tão musical como as produções hollywoodianas com Esther Williams na monumental piscina clorada. E a Pandemia tem a ver um pouco com isso.

Para evitar que o confinamento elevasse significativamente o percentual de abstenção, o voto pelo correio foi maciçamente incentivado. Um complicador, dado que, de Estado para Estado, a data limite para sua inclusão na contagem divergisse entre os que só os admitiriam até o dia da eleição e os que estendiam o prazo até o recebimento do último voto.

Numa disputa acirrada e cabeça com cabeça, isto criou o fumegante pomo de discórdia que arde nos noticiários e vai arder ainda mais nas ruas. E aí, outro ingrediente explosivo promete azedar ainda mais o caldo.

Os americanos já tiveram outras eleições apertadas. Kennedy, por exemplo, venceu Nixon por uma diferença mínima, Bush suplantou Gore por uma ainda menor. Rivalidades sempre existiram. O problema agora é outro. Chama-se Polarização. Não são opiniões divergentes sobre um mesmo fim. São fins diferentes capturando opiniões.

Dentro de toda essa bruma, começam a pipocar denúncias de fraudes, envolvendo principalmente as cédulas enviadas pelo correio. Trump já afirmou que não vai deixar barato e prepara sua ofensiva nos tribunais. E, de repente, só no ano que vem saberemos que ganhou.

Já não se fazem eleições americanas como antigamente...

Oswaldo Pereira

Novembro 2020


11 comentários:

  1. Isso ocorre por não usarem o voto eletrônico como no Brasil, muito mais avançado, e se usassem, muito antes do término das apurações já saberiam o vencedor.
    Abraço do Thomaz Magalhães

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    1. É verdade, caro Thomaz. Mas, a votação eletrônica também pode ser uma faca de dois "legumes", como dizia o Barão de Itararé. Tem muita gente boa questionando a segurança e a possibilidade de manipulação do sistema. Durma-se com um barulho destes...

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  2. Ja tem um "tempinho" que a fraude vem se tornando uma das mais sólidas (melhor dizendo) sórdidas instituições da cultura contemporânea.

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  3. ...mas a democracia still alive permite.que aqui no seu blog, por exemplo, os anônimos se identifiquem. rs. Um abraço Claudia Ribeiro

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    1. Rsrsrs... Hoje a fraude se expande sob o codinome "fake news". Está valendo tudo. Como no "1984", o vocábulo VERDADE vai desaparecer dos dicionários...

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  4. Ah amigo eu não acredito em nada do que fala a Política Partidária.Conseguiram sim polarizar o Mundo.
    Lá votaram no Biden para tirarem o Trump como aqui votaram no Bolsonaro para tirarem o PT. Sempre o povo saindo do espeto para cair na Brasa. Não há saída para a Humanidade.Não se trata de derrotismo ou pessimismo, mas Realidade.bjs Zezé

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  5. Amigo, não acredito na Política Partidária nem aqui e nem em qualquer lugar do mundo. Tudo são interesses de Poder e de Dinheiro no passado e desde sempre. Hoje presidentes são meros instrumentos daqueles que governam o mundo. Aqui não queriam o PT e trocaram pelo Bolsonaro. Lá não queriam o Trump e votaram no Biden, o famoso Voto útil. Ambos são a mesma droga, só que o outro lado da mesma moeda. O que é mais triste polarizaram o mundo.
    Esse jogará lama no seu antecessor dizendo que fez tudo errado, mas o povo acredita que fará um bom governo.O povo como sempre sai do Espeto e cai na Brasa. Sem saída para a Humanidade. bjs Zezé

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    1. Querida Zeze, assim como comentei com a Cláudia, a Verdade está desaparecendo como conceito puro. Mas, será que isto é novidade? "Rashomon" já mostrava isso há 50 anos...

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  6. E será que a Verdade algum dia existiu? bjs Zezé

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  7. Desde AC a verdade já não existia.

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