quarta-feira, 22 de julho de 2020

THE CROWN



Muito se tem comentado sobre as vantagens da quarentena no que diz respeito a colocar as atrações televisivas em dia. Com as benesses das TV a cabo e os streamings da Netflix, maratonar tornou-se um verbo bastante em uso quando se trata do imenso cardápio de séries à nossa disposição.

Faço cada vez mais parte desta legião de impenitentes seguidores compulsivos, para os quais emparelhar várias produções vai-se tornando um hábito corriqueiro. No momento, consigo, entre um zapeamento e outro no controle remoto, consumir avidamente conteúdos que vão desde o ambiente dark e decadente da Berlim de 1929 (BabylonBerlin, série do Canal Mais) até o futurismo da segunda temporada de Timeless, um devaneio sobre máquinas do tempo. Pelo meio, assomam os templários da série Knightfall, o fascínio da China de Marco Polo e, para manter o clima dos viajantes intertemporais, a belíssima saga escocesa de Outlander.

Ufa!, dirão. Há mais, insisto eu. Nesta semana, cheguei ao fim da terceira temporada (última disponibilizada até agora) do seriado THE CROWN, um magnífico trabalho do argumentista e dramaturgo britânico Peter Morgan para o canal Netflix. O tema cobre a vida da Rainha Elizabeth II, desde seu casamento em 1947 até (pelo menos no que diz respeito às temporadas já apresentadas) o Jubileu de Prata de seu reinado, em 1977. E com direito a numerosos flashbacks. Como o programado é estender o trabalho por mais três capítulos de dez episódios cada, presume-se que a história da rainha britânica seja trazida aos dias de hoje.

CAPA DA REVISTA "TIME" 1929
E que história! Elizabeth II, hoje a mais longeva monarca em exercício e a mulher que por mais tempo ocupou um cargo público desde sempre, vem mantendo a coroa em sua cabeça desde o pós-guerra e durante um período de cruciais mudanças dificilmente equiparado no passado. Atravessando crises políticas dramáticas em seu país, a dissolução do Império, investidas republicanas, mudanças comportamentais profundas em todo o planeta e, last but not least, conflitos familiares incomodativos, a Rainha soube suportar e contornar perigos e ameaças e consolidar a instituição monárquica. Atualmente, sua popularidade garante a existência da Coroa.  

PRINCESA ELIZABETH 1945
E é isto que THE CROWN nos faz reviver, com detalhes e precisão histórica admiráveis. Além da preciosidade da ambientação e do impecável roteiro, a escolha do elenco foi primorosa. Como a história se desenvolve num largo espectro de tempo, entre a segunda e a terceira temporada houve uma substituição dos atores, para espelhar o inevitável envelhecimento dos personagens. Esta mudança, que poderia acarretar algum estranhamento, confirmou ainda mais o acerto na escalação de atrizes e atores.

Claire Foy, a Elizabeth dos anos 1940 a 1960, foi revezada por Olivia Collman. Duas formidáveis atrizes, mas que diferem muito fisicamente. Além disso, tampouco se parecem com a Rainha. Mas, o imenso talento das duas opera o milagre da transfiguração e o espectador maravilhado continua enxergando a inconfundível figura de Elizabeth II em ambas. A mesma sensação perdura quando apreciamos o trabalho dos atores que personificam o Duque de Edimburgo (Matt Smith/Tobias Menzies), a Princesa Margareth (Vanessa Kirby/Helena Bonham Carter) e tantos outros. Para não falar na impressionante caracterização de John Lithgow como Winston Churchill.


THE CROWN já abocanhou três Globos de Ouro, dois deles atribuídos às duas atrizes principais. Estamos esperando por mais. Muito mais, pois Elizabeth II, a soberana que já sobreviveu a 14 Primeiros Ministros, ainda reina.


Oswaldo Pereira
Julho 2020

2 comentários:

  1. Ola Oswaldo
    Algum tempo atras vi no Net Flix um documentario sobre o tema.
    Vou ver se se trata do mesmo pois foi muito interesante.
    Obrigado pela sugestao.
    Emilio

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    1. Vale a pena, caro Almirante. Para quem viveu esses tempos, é muito interessante.

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