domingo, 15 de fevereiro de 2015

HOMENAGEM






Era uma segunda-feira, pouco depois do jantar. Era também verão, e o Carnaval estava a duas semanas à frente. Com ele, iriam ter início as festividades dos 400 anos da Cidade Maravilhosa, e, além do frenesi natural da folia, grandes homenagens estavam em pauta. Dois dias antes, um animadíssimo bloco fizera sua estreia na Praça General Osório, renascendo o folguedo carioca das ruas e chamando-se Banda de Ipanema. No mais, discutia-se se haveria eleições naquele ano, se a União Soviética falava mesmo a sério quando repreendia os Estados Unidos por seu envolvimento no Viet-Nam, se o novo disco da Rita Pavone iria chegar aos primeiros lugares da Parada de Sucessos da Rádio Tamoio.

Eu estava quase na porta de casa. Ia sair, não me lembro bem se para um cinema, para ir à casa da minha noiva ou para bater papo com alguns amigos. Minha mãe ligara a TV. Era hora do Repórter Esso. E a primeira notícia acabou com a minha programação.

Seis anos antes, um desastre aéreo terminara com a vida de três jovens expoentes da cena do rock’n’roll americano – Buddy Holly, Ritchie Valens e J. P. “The Big Bopper” Richardson. O dia passou a ser conhecido no folclore da música pop (e imortalizado na extraordinária canção-homenagem de Don MacLean, American Pie) como the day the music died (o dia em que a música morreu).

Pois para mim, a música acabou naquele momento quando, com a porta de casa aberta para sair, eu fiquei sabendo, na voz grave e derramada do Gontijo Teodoro que, vítima de um câncer de pulmão aos 46 anos, morrera Nat “King” Cole.

Os que me conhecem há mais de 60 anos (estão ainda por aí...) sabem da minha predileção pelo cantor, inspirada pela sutil simbiose com que ele combinava seu fantástico talento como pianista de jazz (aos 18 anos já era considerado um dos maiores músicos do pedaço), com uma voz de modulação soberba.

Os que me conhecem por este blog (será que ainda estão por aí?...) já leram algumas postagens em que demonstro minha admiração por ele. Assim, não vou chover no molhado e repetir o que já escrevi. Gostaria apenas que, neste dia dos 50 anos de sua morte, lessem, ou relessem, a crônica que publiquei sobre ele, chamada “O Professor de Inglês” (é só clicar no link abaixo).

http://obpereira.blogspot.com.br/2013/08/o-professor-de-ingles.html

Vai servir como uma homenagem.



Oswaldo Pereira
Fevereiro 2015










3 comentários:

  1. Caro Osvaldo, estou sempre fazendo minha homenagem a Nat King Cole, ouvindo suas musicas que gosto muito e sempre gostei. Em 2013 comentei sobre sua nota "O professor de inglês" e mencionei
    minha admiração pelo cantor e pela linda canção "There goes my heart". Continuo e continuarei gostando muito de sua voz. Abraço do Thomaz.

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    1. Pois é, amigo Thomaz. Foram muitas danças de rosto colado com as "gatinhas" de então ao som daquela maviosa voz. Não havia festa sem ele...

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  2. Linda voz, como você diz "de modulação perfeita" . Saudades da voz que é inconfundível.

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