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domingo, 20 de novembro de 2022

BOND 60 (38): TOMORROW NEVER DIES (PARTE II)

 


Tomorrow Never Dies foi o primeiro filme de Bond, desde Goldfinger, que não ocupou o topo da lista das bilheterias na semana de seu lançamento. Também, pudera. A concorrência era, nada mais nada menos, que Titanic, estreado ao mesmo tempo. De qualquer maneira, o décimo oitavo capítulo da série abiscoitou, até hoje, US$ 333 milhões.

Lançado na esteira de sucesso no seu predecessor, Goldeneye, a produção confirmou a aceitação de Pierce Brosnan como 007. O canadense Roger Spotswood substituiu Martin Campbell, que declinou o convite de Barbara Broccoli por estar dirigindo The Mask of Zorro, na direção. Não decepcionou, procurando manter a pegada com boas cenas de ação.

Para representar o vilão da história, inspirado, segundo o seu próprio autor Bruce Feirstein, no controverso magnata da comunicação Robert Maxwell, a escolha caiu inicialmente em Anthony Hopkins. Hopkins, entretanto, estava também comprometido com The Mask of Zorro e o convite foi feito ao excelente ator Jonathan Pryce.

Para fazer Paris, a mulher de Elliot Carver e ex-amante de Bond, Teri Hatcher (já famosa como Lois Lane, a namorada do Superman) suplantou Monica Bellucci. Já o papel da agente chinesa Wai Lin coube à malaia Michelle Yeoh. Judi Dench (“M”), Samantha Bond (Moneypenny) e Desmond Llewelyn (“Q”) mantiveram seus postos. Há ainda a aparição, em papéis menores, dos então iniciantes Gerard Butler (o futuro Leonidas em 300) e Hugh Bonneville (do recente Downton Abby).

O lendário John Barry, que já abandonara a série por problemas de saúde, indicou o britânico David Arnold para a compor a trilha sonora. Arnold ficaria por mais cinco Bonds. A canção-título foi composta e gravada por Sheryl Crow. Se quiser ouvi-la, é só clicar neste  LINK  .

A crítica teve altos e baixos e análises diametralmente opostas. Atualmente, a sensação entre os aficionados é de que Tomorrow Never Dies foi um pouco de “mais do mesmo”, carecendo algo que o pudesse distinguir como renovador ou intrigante.

Um último detalhe: segundo Feirstein, o criador da história que serviu de base ao roteiro, seu título foi inspirado pela música dos Beatles, “Tomorrow Never Knows”, do álbum Revolver. Além disso, o nome original era Tomorrow Never Lies (O Amanhã Nunca Mente) mas, num erro de datilografia, Lies virou Dies. Como os produtores optaram pela versão errada, o nome ficou.

(continua)

Oswaldo Pereira
Novembro 2022

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

BOND 60 (37): TOMORROW NEVER DIES

 


Décimo oitavo filme da série, Tomorrow Never Dies baseou-se no roteiro escrito pelo canadense Bruce Feirstein, famoso por seus livros de humor, como Real Men Don’t Eat Quiche e Nice Guys Sleep Alone.  Foi o último Bond a ser distribuído pela United Artists e foi filmado na França, na Tailandia, no México, na Alemanha, além de no Reino Unido.

A história gira em torno de um magnata da comunicação chamado Elliot Carver, dono da CMGN, obcecado pelo poder e que usa sua planetária rede de notícias para obter mais e mais supremacia no mundo da informação, através de chantagens e esquemas de corrupção.

A pré-sequência mostra um bazar de armas contrabandeadas, situado em algum lugar próximo às fronteiras russas, sendo monitorado pelas câmaras do MI6.  As imagens revelam a presença ali de Henry Gupta, um terrorista e gênio do mal da informática, adquirindo um decodificador GPS, habilitado a alterar rotas de navios. Bond também está ali, investigando o bazar. Da sede do MI6, o Almirante Roebuck, da Real Marinha Britânica, mesmo contra as orientações de M, a chefe da agência, manda bombardear o local. No último momento, Bond sinaliza que há mísseis nucleares no perímetro, armados num avião L-39 Albatroz. Como já não há mais tempo para impedir o bombardeio, Bond apossa-se do jato e consegue escapar do local.

Henry Gupta, afinal, trabalha para Carver. Utilizando o GPS, os dois alteram a rota da fragata britânica Devonshire, colocando-a, sem que a tripulação o saiba, em águas territoriais chinesas. Além disso, Carver possui um barco imperceptível aos radares, do qual é lançado um torpedo tipo broca que fura o casco da fragata, dando a impressão de que foram os chineses os culpados. O incidente provoca, evidentemente, a escalada de tensões entre a Reino Unido e a China e os dois países preparam-se para a guerra.

M, entretanto, desconfia que há algo por trás disto tudo e suspeita da interferência de Carver, até porque a notícia sobre o confronto sino-britânico apareceu nos canais da CMGN muito antes do MI6 tomar conhecimento do caso. Ela, então, envia 007 para Hamburgo, onde Carver está realizando uma conferência. Como Bond tivera um caso com Paris, a mulher de Carver, alguns anos antes, o objetivo é usar esse relacionamento para conseguir mais informações.

Paris, que deixara Bond por verificar que ele nunca abandonaria sua profissão, acaba se reconciliando com o agente e passando-lhe as indicações para penetrar nas oficinas gráficas de CMGN. Bond consegue então recuperar o GPS. Carver, nesse meio tempo, descobrira a ligação entre Paris e Bond e manda um assassino profissional matar os dois, e de maneira que parecesse um crime passional. Ao chegar ao seu hotel, Bond descobre o corpo de Paris e, apesar de rendido pelo matador de aluguel, consegue dominá-lo e eliminá-lo. Embora o hotel esteja cercado pelos capangas de Carver, Bond, utilizando os gadgets do BMW750 fornecido por Q, inclusive com controle remoto de direção, escapa.

BOND E SEU NOVO BMW750


De posse do GPS, Bond vai até a base americana em Okinawa e lá os técnicos conseguem localizar os destroços da Devonshire. Agora na companhia de Wai Lin, uma agente chinesa, eles mergulham até o navio naufragado no Mar Meridional da China. Os dois, entretanto, são apanhados e levados à presença de Carver em sua sede em Saigon. Lá eles cruzam com um corrupto general chinês e o plano de Carver é revelado: ele pretende intensificar a tensão entre ingleses e chineses lançando um míssil contra Beijing de seu navio stealth e colocar a culpa nos britânicos. Em seguida ao conflito, o tal general assumiria o governo de seu país e asseguraria ao Grupo Carver o monopólio das comunicações por cem anos.

BOND E WAI-LIN


Lin e Bond fogem antes de serem torturados e partem para encontrar o barco furtivo de Carver antes do lançamento do míssil. Dentro da embarcação, eles conseguem provocar uma explosão, que acaba por danificar o escudo contra radares e expor o barco aos ataques da aviação britânica. Na refrega, Carver é morto por 007. O filme termina com Wai Lin e Bond beijando-se nos destroços do barco e evitando serem resgatados pela Marinha.

(continua)

Oswaldo Pereira
Novembro 2022

terça-feira, 25 de outubro de 2022

BOND 60 (36): GOLDENEYE (PARTE II)



O atraso na retomada da franquia em função da longa batalha legal entre a MGM e Albert Broccoli acabou por influenciar a desistência de Timothy Dalton em continuar no papel. Quando finalmente em 1994 a questão resolveu-se, Dalton já tinha outros planos e não aceitou a oferta de fazer os próximos cinco Bonds, conforme proposto por Broccoli. A procura do substituto, que chegou a ter no radar Mel Gibson, Hugh Grant e Liam Neeson, acabou se decidindo por Pierce Brosnan, que fora descartado quando da substituição de Roger Moore por ser muito jovem na ocasião.

Muita coisa havia mudado também, no período. O Muro de Berlim caíra e a Guerra Fria terminara. A grande era romântica dos espiões chegara ao fim e achava-se que heróis como 007 tinham saído de moda. Isto, e a morte de alguns dos veteranos participantes da equipe original da franquia, como o roteirista Richard Maibaum e o designer das aberturas Maurice Binder, foram responsáveis por importantes mudanças, tanto no redirecionamento conceitual do personagem principal como até da composição do casting.

O cargo de M, chefe do MI6, foi ocupado por uma mulher, a conceituada atriz Judi Dench. O bastão da direção foi para o neozelandês Martin Campbell, depois de John Woo ter declinado, e o script baseou-se numa história do americano Michael France, que iria mais tarde escrever os roteiros dos filmes de Hulk e do Fantastic Four.

JUDI DENCH COMO "M"
A inglesa Samantha Bond substituiu Caroline Bliss como Ms Moneypenny e um BMW Z3 interrompeu a carreira do Aston Martin como o super equipado carro de trabalho de Bond. Os vilões foram um capítulo à parte. Eram 3. O papel da sanguinária Xenia Onatopp coube à atriz holandesa Famke Janssen e o do General Ourumov ao alemão Gottfried John. Inicialmente, o script descrevia o agente tornado criminoso Alec Trevelyan/Janus como uma espécie de tutor de Bond e atores mais velhos como Anthony Hopkins e Alan Rickman chegaram a ser cogitados. Mas, com a mudança de roteiro e a transformação de 006 e 007 em contemporâneos, a escolha recaiu em Sean Bean (os amantes de Game of Thrones iriam vê-lo anos mais tarde no inesquecível personagem Ned Stark). Natalya Simonova, a Bond Girl da vez, foi interpretada pela cantora e modelo sueco-polonesa Izabella Scorupco.

SEAN BEAN COMO JANUS


Em outros papéis, Joe Don Baker, que já trabalhara em The Living Daylights como o corrupto Brad Whitaker (mais uma repetição desnecessária de casting) apareceu como o agente da CIA em São Petersburgo e Robbie Coltrane (recentemente falecido), famoso posteriormente como Hagrid na saga de Harry Potter, encarnou Valentin Zuckowsky, chefe de uma máfia russa.

O francês Eric Serra assumiu a trilha sonora, no lugar do lendário John Barry e a música título foi composta por Bono (do U2) e pelo inglês David Howell Evans, mais conhecido como The Edge. A intérprete foi Tina Turner, mas tanto o fundo musical como a canção tema tiveram pouca aceitação pela crítica. Para ouvi-la, clique neste    LINK.

O filme, entretanto, obteve um bom índice de aprovação na imprensa especializada e foi um sucesso de público (bilheteria até hoje de US$ 355 milhões). Em retrospectiva, Goldeneye, que marcou o retorno de certo modo triunfante de James Bond e o início da era Brosnan, classifica-se bem no ranking dos aficionados do herói de Ian Fleming.

(continua)

Oswaldo Pereira

Outubro 2022

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

BOND 60 (35): GOLDENEYE (PARTE I)



GoldenEye não é título de nenhum livro de Ian Fleming. Mas, é o nome da propriedade onde ele viveu e escreveu a maioria dos livros de James Bond, uma confortável villa localizada na baía de Oracabessa, na Jamaica. Fleming comprara o terreno em 1946, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, e fez ele mesmo o projeto da casa. O nome veio de uma operação comandada por ele durante a guerra, um plano de contingência caso Gibraltar fosse atacada pelos alemães.

E este foi o nome escolhido para o décimo sétimo capítulo da franquia, lançado em 1995, seis anos após o anterior. Uma batalha legal sobre direitos autorais e a escolha de um novo ator para o papel foram os responsáveis pelo atraso. Até uma nuvem de dúvidas sobre o futuro da carreira cinematográfica de 007 chegou pairar sobre o mundo do cinema. Mas ele voltou.

PIERCE BROSNAN: O NOVO 007


A pré-sequência mostra uma ação levada a cabo, em 1986, por dois agentes 00, Bond e seu colega e amigo Alec Trevelyan, nas instalações da planta química soviética de Arkangel, dirigida pelo coronel russo Arcady Ourumov. Entretanto, algo dá errado e Trevelyan é eliminado; Bond consegue escapar e destruir a fábrica. Essa cena, que você pode conferir neste   LINK , traz uma das mais inverossímeis façanhas de 007, na qual ele se atira com uma motocicleta de um penhasco e consegue penetrar na cabine de um monomotor desgovernado em plena queda livre. Analisada por técnicos em sobrevivência e aerodinâmica, a chance de isto acontecer é... zero.

Nove anos depois, Bond está em Monte Carlo, cenário da apresentação aos representantes da OTAN de um helicóptero francês da classe Tiger, capaz de resistir a ataques eletromagnéticos. O aparelho, entretanto, é sequestrado por Xenia Onatopp, uma agente do Sindicato do Crime liderado por um misterioso chefão chamado Janus. A cena seguinte passa-se numa base rastreadora de satélites em Servernaya, na Sibéria. Sem aviso, a base recebe uma visita de Ourumov, agora General e chefe da inteligência russa. Acompanhado de Onatopp, ele apossa-se dos códigos de controle de Goldeneye, uma arma secreta espacial capaz de emitir pulsos eletromagnéticos destruidores, enquanto Onatopp mata os ocupantes da base. Ourumov direciona a mira do satélite-arma para a própria base e escapa com Onatopp no helicóptero roubado em Mônaco.

Neste momento, na sede do MI6, agora dirigido por uma mulher, Bond e a nova M acompanham as imagens dos satélites espiões britânicos focados na base de Servernaya. A Guerra Fria terminara anos antes, com o desmonte da União Soviética, mas os serviços de espionagem, tanto do Ocidente como do Leste, ainda se mantinham mutuamente sob vigilância. A destruição da base aparece nas telas e M, assim como Bond, concluem que se trata de um ato terrorista, praticado por alguém dentro da Rússia. Aproximando o foco dos satélites sobre os destroços do edifício, Bond descobre que alguém sobreviveu ao ataque.

M despacha Bond para São Petersburgo, onde ele se encontra com Jack Wade, operativo da CIA na cidade. Com sua ajuda, 007 visita Valentin Zuckovsky, ex-agente da KGB. Através de Zuckovsky, Bond fica sabendo que a organização de Janus está por detrás do roubo dos controles de Goldeneye.

Bond vai atrás de Janus e descobre que ele é ninguém menos do que Alec Trevelyan, o colega que vira sendo executado por Ourumov no ataque a Arkangel, oito anos antes. Antes de preparar a eliminação de Bond, o ex-006 revela que, na verdade, sua suposta morte fora uma armação. Trevelyan é órfão de cossacos que haviam sido traídos pelos britânicos depois da Guerra e entregues aos soviéticos para serem dizimados. Seu ódio pela Inglaterra fizera com que ele montasse a organização criminosa, cujo objetivo é usar Goldeneye para destruir Londres.

Bond é alvejado por um dardo tranquilizante e manietado dentro de um helicóptero a ser atacado por mísseis, juntamente com Natalya Simonova, a sobrevivente de Servernaya, que, como única testemunha da ação de Ourumov, caíra nas mãos de Janus. Evidentemente, Bond e Natalya conseguem escapar e chegam a avisar o Ministro da Defesa russo da traição de Ourumov e dos planos de Janus. Mas Ourumov consegue invadir o local e assassina o Ministro, tentando colocar a culpa em Bond. Segue-se uma cena de perseguição, com 007 a bordo de um tanque (!!), destruindo meia cidade no encalço de Ourumov.

BOND À BORDO DO TANQUE


A perseguição leva Bond ao quartel-general de Janus, um trem da era soviética. Novo confronto ocorre, com Ourumov sendo morto e Janus, acompanhado por Xenia Onatopp, fugindo. Usando seus conhecimentos como analista de sistemas de rastreamento de satélites, Natalya descobre que uma nova base clandestina foi montada em Cuba por Janus, de onde ele pretende programar Goldeneye para seu ataque à capital inglesa.

Novamente com a ajuda de Wade, Bond voa até a ilha do Caribe. A luta final entre ele e Janus desenrola-se dentro da gigantesca antena da base, com o agente britânico finalmente levando a melhor sobre seu antigo amigo. A base é destruída; Bond e Natalya conseguem escapar. O filme termina com os dois sendo surpreendidos por um batalhão de marines camuflados, no momento em que, acreditando estarem sós, preparam-se para saborear sua vitória...

(continua)

Oswaldo Pereira
Outubro 2022 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

BOND 60 (34): LICENCE TO KILL (PARTE II)




Licence To Kill foi o primeiro filme da série a ser filmado inteiramente fora do Reino Unido. Aumento dos impostos na Inglaterra iria fazer com que, ao invés de nos Estúdios da Pinewwod, a produção fosse realizada, além de locais na Florida e na Baja California, no Estúdio Churubusco, no México.

A mudança até ajudou, pois toda a ação envolve os meandros do contrabando de cocaína que, já no final da década de 1980, era a principal preocupação dos órgãos antidroga americanos, com ramificações em vários países da América Latina e participação de políticos importantes, como o Presidente do Panamá, Manuel Noriega, inimigo público número um do FBI. Dizem até que, por causa de seu rosto marcado pela acne, como o do presidente panamenho, o ator Robert Davi foi escolhido para o papel de Franz Sánchez, o principal vilão do filme. Assim também, a fictícia Republica de Isthmus tem tudo a ver com o país da América Central (em tempo: o Panamá É um istmo). E a bandeira tem as mesmas cores do pavilhão da Nicarágua...

Davi foi o responsável pela indicação de Talisa Soto para uma das Bond girls, Lupe, a amante de Sánchez. Carey Lowell fez Pam Bouvier, o outro papel feminino. O filme traz um iniciante Benício del Toro (que iria ganhar o Oscar de Coadjuvante em 2000, por sua atuação em Traffic) como Dario, o assecla de Sánchez.

ROBERT DAVI (SÁNCHEZ) & BENICIO DEL TORO (DARIO)


David Hedison aparece como Felix Leiter dezesseis anos depois de ter feito o mesmo personagem em Live And Let Die. Com 61 anos, sua escalação foi inicialmente posta em dúvida pelo produtor Cubby Broccoli e pelo diretor John Glen, haja vista que saltos de paraquedas faziam parte do script. Uma certa premonição pois, na cena em que Leiter e Bond saltam para chegar à igreja onde se realiza o casamento do agente americano com Della, o equipamento de Hedison deu problema e ele machucou a perna. Ficou mancando durante o resto das filmagens...

Outras participações curiosas foram a de Wayne Newton, cantor e showman americano (intérprete do sucesso Red Roses for a Blue Lady), que insistiu com os produtores para aparecer num Bond (ele é o pastor charlatão Joe Butcher) e a de Pedro Armendariz Jr., filho do ator que interpretara Ali Karim Bey em From Russia With Love.

Por questões de saúde (havia sofrido uma ruptura do esôfago) John Barry não pôde dirigir a parte musical de Licence To Kill. Michael Kamen substituiu-o.  A canção título é de Gladys Knight, que faz uma homenagem a Goldfinger, usando as inesquecíveis fanfarras iniciais do lendário tema. Se desejar ouvir, clique neste  LINK .

Timothy Dalton havia sido contratado para, em princípio, trabalhar em três Bonds. Logo após o lançamento de Licence To Kill, em junho de 1989, a terceira produção com sua presença já estava sendo cogitada. Entretanto, uma longa batalha legal entre a UA e a EON iria postergar as filmagens de mais um filme de 007 até 1993. Quando, finalmente, a questão foi resolvida, Dalton iria, para surpresa de todos, abandonar o papel.

Licence To Kill iria também marcar a despedida de importantes personalidades, cuja imagem estava intimamente ligada à história da franquia. Foi o último filme do diretor John Glen; Robert Brown encarnou M pela última vez e Caroline Bliss, sua última Moneypenny. Lamentavelmente, Maurice Binder, o mago das imagens de abertura de todos os Bonds até então, e Richard Maibaum, o veterano roteirista, também disseram adeus, falecidos ambos em 1991. E Albert “Cubby” Broccoli, que morreria em 1996, não veria o próximo capítulo da saga.

Novamente, o posto estava vago. James Bond Will Return, a frase final, iria parecer uma promessa vaga. Seriam seis anos de intervalo.

(continua)

Oswaldo Pereira

Setembro 2022

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

BOND 60 (33): LICENCE TO KILL (PARTE I)

 


Licence Revoked (Licença Revogada). Este seria o título do décimo sexto filme de James Bond, o primeiro que não utilizaria nenhum nome dos livros de Ian Fleming. Mas, como nos Estados Unidos a expressão poderia ser associada à perda da carteira de motorista, a EON resolveu mudar e, em 1989, lançou Licence To Kill, um roteiro inteiramente escrito por Michael G. Wilson e Richard Maibaum.

A pré-sequência começa com Bond e Felix Leiter, seu amigo da CIA, indo para o casamento deste em Key West. No caminho, entretanto, são interceptados por agentes da DEA (a Agência americana de combate às drogas), que informam Leiter da presença de um dos mais procurados chefões do tráfico, chamado Franz Sanchez, nas Bahamas. Levando Bond como observador, Leiter parte para a captura do bandido. Com a ajuda de 007, o agente da CIA consegue prender Sanchez e os dois finalmente chegam, com algum atraso, à igreja para o enlace. Se desejar ver a cena da captura de Sanchez, clique neste    LINK       .

Sanchez, entretanto, suborna Ed Killifer, um detetive da DEA, e consegue escapar. Sob suas ordens, seu assecla Dario e mais dois comparsas vão até a casa de Leiter e atacam o casal. Felix é levado para um armazém e jogado num fosso onde sofre o ataque de tubarão branco.  Quando Bond toma conhecimento da fuga do traficante, parte imediatamente para a casa de Leiter, onde encontra Della, a noiva, estuprada e morta e Felix gravemente ferido.

Dominado pelo desejo de vingança, Bond parte para ajustar as contas com Sanchez, conseguindo descobrir o armazém de propriedade de Milton Krest, um sócio de Sanchez, onde Leiter fora torturado. Lá, ele acha Killifer, e dá a ele o mesmo tratamento que Feliz recebera nas mãos dos bandidos. Entretanto, o MI6 decidira que Bond deveria abandonar o caso nas mãos dos americanos e seu chefe M o encontra em Key West, onde o ordena a partir para outra missão em Istambul. Bond se rebela e é demitido por M, que revoga sua qualificação como agente com licença para matar.

Agindo agora por conta própria, Bond vai atrás de um carregamento de droga que Milton Krest está levando para Sanchez em seu barco Wavekrest, impede a operação e ainda foge com os cinco milhões de dólares pertencentes ao traficante. Descobrindo, entre os dados arquivados por Leiter num disquete, que a assistente dele, a pilota e agente da DEA Pam Bouvier, está também atrás de Sanchez, Bond vai encontra-la em um bar em Bimini e os dois resolvem unir suas forças (entre outras coisas...)

Por Pam, Bond fica sabendo que Sanchez está em Isthmus, uma republiqueta governada por um generalíssimo corrupto totalmente dominado por Sanchez. Em tempo, o país fictício tem tudo a ver com a Nicarágua, inclusive nas cores da bandeira... Os dois para lá vão, com Bond travestido de um endinheirado assassino profissional e Pam como sua secretária. Usando os cinco milhões de dólares (equivalente hoje a dez vezes mais) para fazer um depósito no Banco de Isthmus, de propriedade de Sanchez, Bond usa a quantia para jogar pesado na mesa de baccara no cassino do traficante e chamar sua atenção, dele e de sua amante, Lupe, que, às escondidas, resolve ajudar Bond para que, em troca, ele a livre das garras do bandido.

Levado à presença do vilão, Bond o convence a contratar seus serviços e aproveita para examinar o local, com vistas a preparar o cenário para matar Sanchez. Sua tentativa, entretanto, é interrompida pelo ataque de agentes antidroga de Hong Kong, que queriam pegar Sanchez vivo. Dominado pelos orientais, Bond é levado prisioneiro para um esconderijo dos agentes. Mas, o local é invadido pelas forças de Sanchez, que eliminam todos os ocupantes. Quando encontra Bond amarrado, Sanchez se convence da sua lealdade e resolve aceita-lo como colaborador.

Usando vários estratagemas, Bond levanta as suspeitas de Sanchez com relação a Krest e, colocando sem que ninguém perceba, os milhões de dólares no Wavekrest, consegue incriminá-lo. Sanchez mata Krest com requintes de crueldade numa câmara de descompressão e Bond vê concretizada, assim, a primeira parte de sua vingança.

Nesse meio tempo, uma grande operação de internacional de comércio de drogas está sendo montada por Sanchez, usando como meio de intermediação para os leilões uma organização pseudo- evangelista liderada por um pastor charlatão. A sede da organização, um imenso templo localizado no deserto, serve de base à distribuição da cocaína, misturada com gasolina para ser indetectável. Sanchez leva um grupo de potenciais compradores do Extremo Oriente ao laboratório para uma demonstração de como a droga pode passar despercebida pelos controles e convida Bond, que agora faz parte do seu círculo íntimo. Lá, entretanto, Bond é desmascarado por Dario, que o vira em companhia de Pam Bouvier em Bimini.

Na luta para escapar, Bond inicia um incêndio no laboratório, mas Dario e Sanchez o dominam e ameaçam jogá-lo no triturador de cocaína. Pam Bouvier, que havia penetrado no templo, chega a tempo de salvá-lo, atirando em Dario. Sanchez consegue fugir num comboio de camiões-tanque que leva a droga. Bond e Bouvier, num monomotor, o perseguem até que, após uma sequência de explosões ao longo de uma estrada, Sanchez e Bond têm o confronto final. Aproveitando que o vilão está com o corpo enxarcado de gasolina, Bond o incendeia usando o isqueiro que ganhara de Felix Leiter no dia do casamento.

O PRESENTE DE LEITER


Tudo termina com Bond sendo readmitido no MI6 e, durante uma festa na suntuosa casa do Presidente de Isthmus, colocado entre a opção de ficar com Lupe ou com Pam, decide por esta última, num romântico final feliz dentro da piscina da mansão.

(continua)

Oswaldo Pereira
Setembro 2022

domingo, 11 de setembro de 2022

BOND 60 (32): THE LIVING DAYLIGHTS (PARTE II)

 


A mudança de estilo é mais do que evidente.

Essa foi a tônica principal dos comentários e avaliações da crítica, quando o filme foi lançado em junho de 1987, em Londres, com a presença dos príncipes Charles e Diana. E, não foi só o tipo de atuação e o approach empregados por Timothy Dalton em The Living Daylights, em expressivo contraponto ao Bond de Roger Moore. O próprio roteiro define um protagonista mais introspectivo e menos hedonista. A relação entre o agente e Kara Milovy, a principal figura feminina, tende mais para o romance do que para os relacionamentos mais superficiais e sexualmente orientados dos filmes anteriores. É preciso lembrar que, em meados da década de 1980, o flagelo da AIDS estava mudando comportamentos. Promiscuidade era uma palavra a ser evitada.

Richard Maibaum e Michael G. Wilson, mais uma vez, se encarregaram do roteiro, assim como John Glen emplacou a direção de mais um Bond. O filme também marca a ascenção de Barbara Broccoli, a filha de Cubby, na hierarquia da EON, assumindo a coprodução e papel preponderante na escolha do elenco. Foi dela a indicação da inglesa Maryan d’Abo para o papel da violoncelista Kara, uma escalação considerada equivocada pelos aficionados, dada a inexpressividade da atriz britânica. Desmond Llewelyn continuou em seu posto como Q e a inglesa Caroline Bliss assumiu como Moneypenny, no lugar da inesquecível Lois Maxwell.

MARYAN D'ABO (KARA MILOVY)


Embora tendo sido aprovado pelos críticos cinematográficos à época, que consideraram The Living Daylights quase um renascimento da imagem de 007, muitos comentaristas apontaram a fragilidade da interpretação de d’Abo e a inexistência de um grande vilão (nem Joe Don Baker como Brad Whitaker e Jeroen Krabbé como Giorgi Koskov, embora excelentes atores, conseguiram superar as limitações de seus papéis) como pontos negativos. Em termos financeiros, entretanto, o filme foi um sucesso, com uma bilheteria que, até hoje, soma US$ 191 milhões.

The Living Daylights foi a última vez que o maestro John Barry musicou um Bond. Como despedida, ele até aparece no final do filme, regendo a orquestra que acompanha Kara Milovy no seu concerto em Viena. A música título foi uma parceria sua com Pål Waaktaar, do grupo norueguês A-ha, que a interpreta. A trilha, em função da habilidade musical da personagem, inclui vários trechos clássicos.

Mas, mais importante de tudo, Timothy Dalton havia passado no teste. O novo James Bond estava entronizado.

Oswaldo Pereira
Setembro 2022

 

 


domingo, 4 de setembro de 2022

BOND 60 (31): THE LIVING DAYLIGHTS (PARTE I)

Com a aposentadoria de Roger Moore, a escolha se encontrava empatada. Sam Neill, Pierce Brosnan e Mel Gibson estavam na disputa, mas, ao final, um ator com larga experiencia em teatro e relevantes papéis no cinema ficou com o papel. Já havia sido convidado anteriormente, por duas vezes, e recusado. Desta vez, entretanto, Timothy Dalton resolveu aceitar – ele seria o quarto James Bond.

Foi uma mudança da água para o vinho. Ou, melhor dizendo, do vinho para a água. O sofisticado estilo flamboyant de Moore seria substituído pela pegada dura, quase ascética de Dalton. Ele próprio declarou depois que, ao aceitar o convite de Cubby Broccoli num telefonema dado do aeroporto de Miami, o fez tendo na cabeça o propósito de aproximar sua atuação o mais perto possível do herói imaginado por Ian Fleming.

TIMOTHY DALTON: O QUARTO BOND


A pré-sequência de The Living Daylights, décimo-quinto da série, mostra o que deveria ser um exercício militar da OTAN, com uma equipe de agentes 00 executando uma missão de treinamento, cujo objetivo era penetrar nas defesas da fortaleza britânica de Gibraltar. Um agente russo infiltrado, no entanto, interfere na operação e elimina dois dos agentes. 007 é o único que consegue escapar e perseguir o invasor, pendurado na cobertura de um jipão numa desabalada corrida pelas estreitas vielas da base. O veículo acaba precipitando-se em direção ao mar e explodindo, mas Bond aciona seu paraquedas sobressalente e acaba aterrissando no iate de uma sedutora mulher.

Depois dos títulos iniciais, mais um trabalho com a marca de Maurice Binder, a ação principal tem início com Bond sendo encarregado de proteger a defecção para o Ocidente do general da KGB Giorgi Koskov e eliminar um sniper que iria tentar impedir sua fuga. Bond, posicionado para a missão, acaba descobrindo que o atirador é uma mulher e, no último momento, desvia sua mira e, ao invés de matá-la, alveja apenas a sua arma. Este é a única parte do filme que se baseia quase integralmente no conto The Living Daylights (publicado postumamente) de Fleming.

A seguir, Bond auxilia Koskov a escapar através de um gasoduto soviético que fornecia gás para a Alemanha (como se vê, a dependência energética não é de hoje...) O general russo, então, revela ao MI6 que o novo chefe da KGB, Leonid Pushkin, está revivendo um plano de eliminação de agentes ocidentais, denominado Smiert Spionen (Morte aos Espiões). Como há informações de que Pushkin estaria em Tânger dali a dias, M encarrega Bond de eliminá-lo. Nesse meio tempo, um suposto agente russo invade a mansão de propriedade do MI6 e consegue sequestrar Koskov.

Apesar de incumbido da tarefa de assassinar Pushkin, Bond sente que há qualquer coisa de errado em toda a história e resolve voltar a Bratislava, atrás da mulher que ele vira tentando atirar em Koskov. Ela é Kara Milovy, uma violoncelista apaixonada pelo general russo, e 007 descobre que toda encenação de sua fuga para o Ocidente era uma farsa para intrigar Pushkin com os serviços de espionagem ocidentais. Sem revelar suas descobertas para a moça, Bond finge ser um aliado de Koskov, na tentativa de descobrir seu paradeiro.

Perseguidos pela KGB, os dois acabam fugindo de Bratislava para Viena. Um romance entre eles tem início numa roda gigante no parque de diversões do Prater. Também lá, Bond se encontra com um agente do MI6, que lhe passa a informação de que, na verdade, Koskov está associado a um grande traficante de armas americano, chamado Brad Whitaker.  Minutos depois, o agente é assassinado e um balão de festa com as palavras Smiert Spionen aparece flutuando perto do corpo. Convencido de que Pushkin é o responsável, Bond parte para Tânger a fim de eliminá-lo.

No confronto, Pushkin nega veementemente a existência da operação “Morte aos Espiões” e revela que Koskov fora expulso da KGB por desvio de fundos.  Acreditando na palavra do general russo, Bond se une a ele na perseguição a Koskov. Nesse meio tempo, Kara se encontra com o ex-amante. Este a convence de que Bond é um espião soviético. Seguindo suas instruções, Kara, no seu encontro seguinte com 007, consegue droga-lo e facilitar sua captura por Koskov e seu capanga Necros.

Com Bond aprisionado, todos partem para uma base militar russa no Afeganistão, onde Koskov está organizando uma grande operação clandestina, envolvendo contrabando de armas e de ópio. Bond é levado para uma cela nas instalações da base, juntamente com Kara, que descobre, afinal, as reais intenções de Koskov. Mas, utilizando um gadget desenvolvido por Q, 007 e a garota escapam da prisão, liberando, no mesmo momento, um líder dos mujahedins afegãos, que ali se encontrava prisioneiro dos russos.

Entrementes, um grande carregamento de ópio está sendo levado para um cargueiro Hercules C-130, sob as ordens de Koskov. Bond, disfarçado de afegão, penetra no cargueiro e coloca uma bomba relógio, mas, ao tentar sair, o avião fecha as portas e começa a taxiar. Sem outra alternativa, ele ataca a tripulação e assume o controle da aeronave. Quando percebe que Kara, a bordo de um jipe, procura alcança-lo, Bond abre a rampa de carregamento do Hercules, permitindo sua entrada e levanta voo.

Ao tentar desligar a bomba, Bond é atacado por Necros, que também entrara no avião. Segue-se uma eletrizante luta, com os dois agarrados ao carregamento de ópio do lado de fora do aparelho. Se quiser ver essa cena, é só clicar neste   LINK .

Em terra, os mujahedins atacam a base russa.  Bond ainda os auxilia, atirando a bomba contra uma ponte, pouco antes do Hercules, sem combustível, despenhar-se no solo. Mas, é claro, Bond e Kara conseguem salvar-se na última da hora. Como capítulo final, 007 volta a Tânger para despachar o traficante Whitaker desta para melhor. O filme termina com ele e Kara juntos no seu camarim, após um concerto dela em Viena.

(continua)

Oswaldo Pereira

Setembro 2022

terça-feira, 23 de agosto de 2022

BOND 60 (30): A VIEW TO A KILL (PARTE II)

 


Com A View To A Kill, Michael G. Wilson, que havia trabalhado nos roteiros dos três filmes anteriores com o veterano Richard Maibaum, tornou-se coprodutor, juntamente com seu padrasto Albert “Cubby” Broccoli, da franquia. Wilson começara suas atividades na EON com apenas 20 anos, em 1962 e, lembrando um pouco a mania de Alfred Hitchcock, apareceu como figurante não creditado na maioria dos filmes da série. Além disso, foi o responsável por atenuar as ideias mais extravagantes de seu colega Maibaum. No script original de A View To A Kill, Maibaum imaginava que Zorin, no seu plano para destruir o Vale do Silício, iria manipular o cometa de Halley (!) e precipitá-lo sobre a California. Wilson conseguiu dissuadi-lo...

As filmagens começaram em agosto de 1984 com um orçamento de US$ 30 milhões (viria retornar aos cofres da EON cerca de cinco vezes esse valor) e a produção estreou em maio do ano seguinte no Palace of Fine Arts, em São Francisco.  Ascot, o Castelo de Chantilly, a Torre Eiffel e, predominantemente, São Francisco (talvez a cidade que mais foi utilizada como cenário da história do cinema), além dos estúdios Pinewwod na Inglaterra foram os palcos das cenas.

Tanya Roberts, que aparecera como Sheena, A Rainha das Selvas um ano antes, foi a escolha para fazer a Bond girl principal, a geóloga Stacey Sutton. Contudo, o papel feminino mais impactante seria vivido pela exótica Grace Jones, como May Day, a poderosa assistente de Zorin. David Bowie e Sting foram convidados para representar o vilão, mas declinaram. O papel acabou indo para o já consagrado ator Christopher Walken, famoso por seu icônico trabalho em The Deer Hunter. Mais um integrante do seriado The Avengers (Honor Blackman e Diana Rigg já haviam participado de outros Bonds), Patrick MacNee, foi escalado como o malogrado Geoffrey Tibbet. Uma curiosidade: um ainda desconhecido Dolph Lundgren que, então namorado de Grace Jones, andava pelo set, acabou sendo convidado pelo diretor John Glen para figurar numa cena como um anônimo militar soviético.



TANYA ROBERTS (STACEY SUTTON)
CHRISTOPHER WALKEN (ZORIN) & GRACE JONES (MAY DAY)


John Barry continuou na batuta da trilha sonora e, em parceria com a banda inglesa Duran Duran, compôs a música título, que chegou ao topo da Billboard Hot 100. Neste LINK.


A View To A Kill marcou a última aparição na série de Lois Maxwell como Moneypenny. E a última de Roger Moore. Com 57 anos (Sean Connery deixara a franquia com 41), estava por demais evidente o envelhecimento do personagem, causa inclusive das mais recorrentes críticas ao filme. O próprio ator, que comunicou sua desistência seis meses após o lançamento da película, acentuou posteriormente seu desconforto em atuar, classificando como seu pior momento como Bond e que ficara mortificado quando descobrira que ele era mais velho do que a mãe da atriz Tanya Roberts.

O terceiro Bond chegava ao fim de sua carreira. Estava aberta a temporada de procura de um novo ator.

(continua)

Oswaldo Pereira
Agosto 2022

domingo, 21 de agosto de 2022

BOND 60 (29): A VIEW TO A KILL (PARTE I)

 


Depois de seguir os enredos dos livros de Ian Fleming nas produções iniciais, a série agora se utilizava praticamente só do título e do nome de seu principal personagem. Não foi diferente com a décima-quarta produção da franquia. From A View To a Kill é um conto do autor inglês cuja trama, que trata da participação de James Bond no esclarecimento do assassinato de um mensageiro dos serviços secretos britânicos, nada tem a ver com o filme.

A pré-sequência mostra Bond na Sibéria, recuperando um microchip do cadáver do agente 003, morto pelos russos. Na sequência principal, Q verifica que o chip é  idêntico a outro fabricado pelas indústrias Zorin. Temendo que possa haver uma conexão entre o industrial e os soviéticos, Bond se desloca até o tradicional hipódromo de Ascot, onde Zorin e seu séquito acompanham a vitória de um cavalo seu na principal corrida da tarde. Após o páreo, Bond encontra-se com Sir Godfrey Tibbet, um treinador de cavalos e agente do MI6. Tibbet confirma as suspeitas de que o animal poderia estar dopado com esteroides.

MONEYPENNY, BOND, TIBBET e M


Sabendo que Zorin patrocinará um grande leilão equestre na França, Bond vai a Paris e contata Achille Aubergine, um detetive francês que também investiga as atividades da empresa. Enquanto jantam no restaurante da Torre Eiffel, Aubergine é morto por May Day, a exótica assistente e guarda pessoal de Zorin. Bond se lança na perseguição da assassina pelas estruturas da Torre e pelas ruas de Paris (é uma das cenas mais famosas do filme. Se quiser vê-la, é só clicar neste  LINK).

Bond e Tibbet se dirigem então ao palácio onde Zorin organiza o leilão e, disfarçados como um potencial comprador e seu criado, acabam por descobrir um laboratório secreto, onde excitadores de adrenalina estão sendo produzidos. Os dois, entretanto, são apanhados e desmascarados. Tibbet é morto por May Day e Bond sofre uma tentativa de afogamento, mas, é claro, escapa.

As cenas seguintes revelam que Zorin é, na realidade, um experimento realizado pelos soviéticos, com a participação de um geneticista alemão e ex-nazista, que modelou o seu crescimento desde menino com o uso de esteroides, objetivando criar um ser super dotado a serviço dos russos.  Acontece que Zorin parece ter ideias próprias... Uma dessas ideias é apresentada por ele, logo a seguir, a um grupo de investidores: inundar o Vale do Silício, na Califórnia e dominar o mercado mundial de microchips.

Como as empresas Zorin possuem plataformas de petróleo e atividades de mineração na Califórnia, 007 parte para São Francisco. Tentando infiltrar-se à noite na plataforma, Bond encontra uma velha conhecida sua, a agente russa Pola Ivanova. Os soviéticos também estão desconfiados de Zorin e a missão de Ivanova é também espioná-lo. Após um romântico banho numa tina ofurô com a espiã, Bond consegue apossar-se da fita onde Ivanova gravara conversas reveladoras de Zorin. Em seguida, o agente britânico se aproxima de Stacey Sutton, uma garota que Bond vira no leilão de cavalos recebendo um cheque de Zorin. Stacey é uma geóloga americana e jovem herdeira de uma companhia de petróleo. Com sua ajuda, Bond consegue infiltrar-se na mina de carvão de Zorin e lá os dois verificam que grande quantidade de explosivos está sendo acumulada para provocar uma ruptura na falha de Santo André e deflagar a catastrófica inundação do Vale do Silício.

Antes de detonar a grande explosão, Zorin provoca uma inundação secundária na mina no intuito de eliminar a maioria de seus cúmplices. Bond e Stacey são apanhados pelo fluxo de água, mas a garota consegue sair para a superfície.  Certos de que todos os que estavam na mina estão mortos e que a bomba relógio colocada no meio das cargas explosivas irá ser ativada na hora programada, Zorin, o geneticista alemão e seu capanga chefe Mortimer levantam voo num dirigível.

Ainda dentro da mina, Bond enfrenta May Day mas, quando esta percebe que Zorin a havia deixado para trás, une-se ao agente na tarefa de impedir a gigantesca explosão. Nesse meio tempo, Zorin consegue raptar Stacey, e prendê-la dentro do dirigível, mas Bond, saindo finalmente da mina, pendura-se numa corda do aparelho e é levado pelos ares. Zorin manobra para forçar a queda de Bond, mas, ao chegar à estrutura superior da Golden Gate Bridge, 007 laça a corda num dos pilares da ponte e ancora o dirigível. Zorin sai da cabine para enfrenta-lo. Na luta, o vilão cai para a morte. Enquanto isto, Stacey consegue escapar e chegar até onde está Bond. Mortimer ainda tenta atirar uma carga de dinamite nos dois. Cortando a corda que prendia o dirigível à ponte, Bond faz com que o brusco movimento faça com que o capanga se desequilibre e deixe cair o explosivo dentro da cabine.

O filme termina com o general soviético Gogol em visita ao MI6, oferecendo da Ordem de Lênin a Bond. Mas ele não está presente. Um robô fabricado por Q descobre-o na casa de Stacey, onde os dois tomam uma ducha juntos...

(continua)

Oswaldo Pereira
Agosto 2022

terça-feira, 9 de agosto de 2022

BOND 60 (28): OCTOPUSSY (PARTE II)

 


Bond também descobre que Octopussy é dona de uma rede de espetáculos circenses, através da qual Khan opera seu contrabando de joias, juntamente com Orlov. Ciente de que uma apresentação desse circo está programada para acontecer numa base americana situada na Alemanha Oriental, Bond para lá parte. Após várias peripécias, o agente inglês verifica que Orlov plantou um artefato nuclear numa instalação do circo, para ser detonado durante o espetáculo. O fato iria fazer os governos da Europa Ocidental pensarem tratar-se de um acidente nuclear e convencê-los a promover um desarmamento das forças da OTAN, o que facilitaria ainda mais os planos bélicos do general russo.

Como não podia deixar de ser, 007 encontra a bomba e a desativa, a 1 segundo da explosão (!); Orlov tenta fugir, mas é morto pelos guardas. Em seguida, Bond e Octopussy retornam à India atrás de Kamal Khan e com a ajuda das mulheres que formam a guarda pessoal dela, atacam a mansão do príncipe afegão. Ele e seu capanga Gobinda, entretanto, conseguem dominar Octopussy e fugir em seu avião particular. Bond persegue o aparelho a cavalo e acaba se agarrando à asa, enquanto o avião decola. Segue-se uma incrível cena de ação, com 007 do lado de fora da aeronave (!!), segurando-se como pode e lutando contra Gobinda (se quiser ver esta arriscada filmagem, clique neste  LINK  ). 

Após vencer o adversário e desabilitar um dos motores, Bond entra na cabine e encontra-se com Octopussy. Enquanto o avião perde altitude, os dois saltam do aparelho no momento em que este faz um rasante no topo de uma colina (!!!), segundos antes de se despenhar e explodir. Refeitos, eles terminam o filme curtindo as delícias do palácio de Octopussy.

Octopussy teve sua première em junho de 1983, com a presença dos príncipes Charles e Diana, e foi lançado pela MGM, que havia absorvido a United Artists, distribuidora dos filmes da EON. Embora faturando menos do que a produção anterior, For Your Eyes Only, conseguiu ainda arrecadar US$ 180 milhões (contra um custo de US$ 27 milhões), muito mais do que Never Say Never Again, o Bond fora da franquia (e que não vai fazer parte desta resenha), estreado meses antes.

As filmagens não haviam tido início quando Roger Moore, mais uma vez, comunicou a “Cubby” Broccoli que iria desistir do papel. A procura do substituto envolveu novamente Timothy Dalton, que, novamente, recusou. A escolha recaiu em James Brolin. Entretanto, o lançamento de Never Say Never Again, com Sean Connery como Bond, abalou Broccoli e o diretor John Glen, que decidiram não arriscar o emprego de um novo ator. O jeito foi convencer Moore.

Faye Dunaway pediu alto para representar Octopussy. Barbara Carrera preferiu atuar ao lado de Connery em Never Say Never Again. A produção acabou por convidar a sueca Maud Adams, que trabalhara em The Man With The Golden Gun, uma repetição reprovada por muitos aficionados da série. A EON já havia lançado mão desse expediente em outras ocasiões (como utilizando o ator Charles Gray em papéis diferentes em Diamonds Are Forever e You Only Live Twice) mas, escalar a mesma atriz para duas aparições como uma Bond Girl proeminente foi um pouco demais.

Outra sueca, Kristina Wayborn, fez Magda, a assistente de Kamal Khan. Louis Jourdan, o veterano ator francês, foi uma acertada escolha para fazer o criminoso príncipe, personificando um impecável e convincente vilão. Já Steven Berkoff, como General Orlov, faz uma atuação decididamente over e até caricata. O britânico Robert Brown, que havia aparecido como um almirante em The Spy Who Loved Me (outra repetição), assumiu como M, no lugar do falecido Bernard Lee. Lois Maxwell (“Moneypenny”) e Desmond Llewellyn (“Q”), apesar da passagem do tempo, continuaram em seus lugares. Uma curiosidade: como uma das cenas se passa no politburo soviético, o ator Paul Hardwick foi selecionado, dada a sua semelhança física com Leonid Brezhnev. Só que Brezhnev foi defenestrado pouco antes da estreia do filme, e a cena ficou de certo modo anacrônica.

LOUIS JOURDAN COMO KAMAL KHAN


John Barry retornou para compor a trilha sonora e, com o letrista Tim Rice, a música-título (bela, por sinal) All Time High, cantada por Rita Coolidge.

Apesar de contar com alguns elogios da crítica na época de seu lançamento, Octopussy representou um retrocesso. Enquanto For Your Eyes Only dera a impressão de uma retomada do estilo mais seco e down to business dos primeiros capítulos da franquia, o filme peca por situações incongruentes e inverossímeis, além do uso de um humor descambando para (como dizia o Barão de Itararé) o perigoso terreno da galhofa. James Bond pendurado num cipó a la Tarzan  (na cena em que ele escapa do palácio de Kamal Khan)??!!  Façam-me o favor...

(continua)

Oswaldo Pereira
Agosto 2022