sexta-feira, 13 de maio de 2016

LÍNGUA PORTUGUESA



Eu amo a Língua Portuguesa. Este amor fez-me um leitor ávido desde a primeira adolescência e tornou-me no escritor tardio que, em certas horas de despudorada imodéstia, acredito ser. Seu uso correto me enche de prazer, a beleza atingida numa frase de estilo ao descrever uma imagem, um pensamento ou uma emoção tem para mim o fulgor de uma obra de arte inconfundível.

Na direção diametralmente oposta, seu mau emprego me causa horror. Vê-la torturada por concordâncias desleixadas, plurais escamoteados, sangrada por grafias abomináveis, pronomes esquecidos ou estupros gramaticais indesculpáveis faz renascer em mim a fúria dos deuses mais vingativos. Não consigo perdoar quem pratica tais atentados contra minha querida, amada e venerada língua pátria. Que o pior inferno vernacular os consuma.

Assim, foi com imenso alívio e a alma lavada com o mais inebriante dos sabonetes prosódicos que ouvi o discurso de posse de Michel Temer. Suas ênclises e mesóclises vieram purgar-me dos 14 anos em que penei os discursos chulos de Lula e a oratória titubeante de Dilma.

Não estou julgando nada. Nem pedaladas, irresponsabilidades, inconstitucionalidades, credos políticos ou cartilhas partidárias. Nem coxinhas ou mortadelas, petralhas ou reaças,  oleodutos ou propinodutos. Nem sei se o que Temer falou carrega sinceridade ou firmeza de propósitos.

Mas, pelo menos no quesito Idioma, ele regalou meus ouvidos. Durante 180 dias, ou mais, se o Senado a impedir definitivamente, ficarei livre das sandices idiomáticas da “Presidenta” (meu Deus...) e de suas estocadas cruéis no coração da minha bela flor do Lácio, minha eterna inspiradora, a Língua Portuguesa.


Oswaldo Pereira

Maio 2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

PRÓXIMO SEMESTRE




Atenção, meus caros amigos. O afastamento de Dilma na próxima quarta-feira NÃO é o fim do processo de impeachment. Pelo contrário. É apenas o seu começo. Durante o andamento do assunto no Senado Federal, muita coisa pode acontecer.

O prazo máximo da suspensão do mandato da Presidente é de 180 dias. No caso do Collor, a coisa foi resolvida na metade do tempo.

Mas Dilma não é Collor, o PT não é o PRN de Alagoas. E Temer não é Itamar. O cenário é totalmente diverso, as forças políticas são outras, o ardor da militância que acompanha e defende o atual Governo inexistia em 1992. No final, Fernando Collor estava absolutamente sozinho. Dilma não está.

E, não se enganem. O desenrolar do processo será uma batalha longa e cruenta. Se usar todo o prazo constitucional, serão seis meses de um espetáculo diário de provas e contraprovas, acusações e defesas, palavrórios e contraditórios, tecnicalidades jurídicas e filigranas processuais, à exaustão. Estamos falando de um show que poderá chegar até novembro. Teremos estômago? E o País? Terá saúde?
E, mesmo não sendo parte integrante da discussão que se travará no Senado, a performance do Governo Temer deverá exercer uma poderosa influência nos humores dos parlamentares. E na opinião pública.

E o Governo Temer, bem...

Na minha modesta opinião, já começou mal. O vergonhoso recuo na eliminação do número de ministérios, abatida por um tomaladacá que cheira a ranço, a sanha dos partidos por cargos e sinecuras, as idas e vindas do leilão partidário, em que ministeriáveis de competência duvidosa afloram de um pântano de conchavos são péssimos sinais. Para uma Administração que prometia virar o jogo sem ter o luxo de cometer erros, a receita certamente não é essa.

E se você ainda achava que Deus era brasileiro, que tal Waldir Maranhão na Presidência da Câmara dos Deputados?...

Assim, tudo pode acontecer neste próximo semestre. A única coisa que não poderia suceder era o Brasil continuar estagnado, imóvel, enredado num novelo político sem precedentes.

Oswaldo Pereira
Maio 2016


quarta-feira, 4 de maio de 2016

REDE GLOBO




Um dos alvos preferenciais de quem defende a Presidente Dilma, ou o ex-Presidente Lula, tem sido a Rede Globo. Segundo essas pessoas, o complexo jornalístico que reúne o jornal, as revistas e o conglomerado de emissoras televisivas tem como política torcer o conteúdo das notícias, tendenciando a informação que veicula para o público em favor das correntes contrárias ao Governo.

Este assunto não é novo. Desde que foi fundado, nos idos da década de 1920 por Irineu Marinho, o jornal O GLOBO sempre foi identificado com o ideário da direita, ou com sua predileção pelos Estados Unidos e seu regime capitalista. No tempo em que a cena política brasileira era claramente definida e polarizada por três partidos, UDN, PTB e PSD, o jornal alinhava-se espontaneamente com o primeiro. Ninguém via nada de errado nisto. As empresas jornalísticas eram empresas privadas e seguiam normalmente a linha editorial do grupo que a comandava. Cada leitor escolhia livremente, e de acordo com sua convicção política, o informativo diário que iria ler.

Em meados do século passado, no momento da grande expansão das empresas jornalísticas nacionais com o advento da televisão, Roberto Marinho, filho e sucessor de Irineu, manteve uma associação com o Grupo TIME-LIFE americano. Isto, evidentemente, reforçou a imagem de filiação d’O GLOBO e sua crescente família de emissoras com o Imperialismo Yankee, conforme rotulavam as correntes esquerdistas brasileiras. O alinhamento posterior com o Regime Militar sedimentou ainda mais este conceito.

Minha pergunta é: e daí?

Ninguém é obrigado a ler o jornal, ou a assistir o canal de TV que não quer. Que, segundo sua opinião pessoal, não lhe disponibilize a imparcialidade que exige. Ou que não lhe ofereça o que gosta de ver e ouvir. Preferências e gostos não se discutem e o meio editorial do Brasil é pródigo em opções de órgãos informativos. É só escolher. Está tudo ao alcance de um clique, de uma leve pressão nos botões de seu controle remoto.

De qualquer maneira, atualmente a informação não é mais monopólio de ninguém. A popularização da internet e, especialmente, a exponencial difusão das redes sociais transformaram a maneira pela qual a Notícia chega até nós, de como a processamos e a retransmitimos. De como a entendemos e a aceitamos.

Ficar debitando à Rede Globo as desventuras do Governo é muita ingenuidade. E perda de tempo.  Em dias de TV a cabo e Facebook, não serão o Jornal Nacional ou a novela da nove que irão conquistar corações e mentes.

Oswaldo Pereira
Maio 2016

domingo, 24 de abril de 2016

DO LEME AO PONTAL...




“Do Leme ao Pontal, não há nada igual...”

Mal sabia Tim Maia que a longa linha praieira de sua música se quebrasse exatamente no trecho que o homenageia...

Eu era ainda criança. Meu pai, quando as ressacas oceânicas começavam a anunciar os frios do Outono, levava-me a apreciar o embate das ondas no costão da Niemayer. Era um espetáculo portentoso. Muita gente ia assistir. Ficávamos todos a uma distância respeitosa, a salvo das chuveiradas do mar, ouvindo o estrondo das ondas na caverna da “Gruta da Imprensa”, onde os arcos construídos duas décadas antes enfrentavam soberanos a força da maré alta.  Eu era ainda criança. Há sessenta anos.

Então, não me venham com lorotas de que a “onda” era imprevisível, ou que mudanças climáticas alteraram o regime do mar. Não insultem a minha inteligência. Ou a minha memória. O mar e as ondas se comportam da mesma maneira que há sessenta anos. Ou que há duzentos mil anos.

O que há de novo é a elevação da incompetência do poder público a potências nunca vistas. A novidade é que a maré da ganância, a preamar do descaso, o tsunami da corrupção chegou a níveis insuportáveis. A ciclovia cai, a lama entope o Governo, o propinoduto corrói as entranhas da Petrobrás, os deputados expõem seu histriônico despreparo, Municípios e Estados não conseguem mais pagar a conta de uma máquina funcional inchada e disfuncional, escolas param, hospitais fecham, estradas se desmancham.

Agora virão as surradas ladainhas do “vamos investigar e punir”, o já malcheiroso bordão do “doa a quem doer”, palavras espúrias e soltas, as mesmas que sucederam o desastre de Mariana. São “frases de prateleira”, atiradas ao vento de uma manhã de outono, bela e trágica, recitadas e repetidas como num disco quebrado, sem ecos nem compromissos.


Até quando vamos ter de suportar isto?

Oswaldo Pereira

Abril 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

PRIMEIRO ROUND



Término do primeiro, de um combate em três rounds. Vitória parcial da Oposição, com um belíssimo cruzado de direita (sem conotações, por favor) no queixo do adversário. 

Agora começa uma agonia que pode levar sete meses. Poderia levar menos, se Dilma renunciasse. Mas este não é o seu perfil. Seus poucos apoiadores a chamam de “guerreira”. Eu concordo, mas o que o Brasil menos precisa, hoje, é de guerreiras. O país precisa de alguém que acerte seu caminho, que o tire do atoleiro da falta de credibilidade política, da inércia econômica, do descalabro financeiro. Que corrija os erros e os desmandos de uma administração incompetente, equivocada, que, por pura estupidez arrogante destruiu a ampla base partidária que possuía no início de seu primeiro mandato. Que não soube ler, em seu analfabetismo funcional, as tendências dos mercados internacionais, o aprofundamento da crise fiscal, a pressão inflacionária, a realidade do país.

O mantra do não vai ter golpe foi mais um dos equívocos. Ninguém em sã consciência pode querer convencer a população brasileira de que o Supremo Tribunal Federal, cujos membros foram todos indicados por Lula ou Dilma, aceitou o rito do impeachment por que é golpista. Que dois terços da Câmara de Deputados estejam mancomunados com um Golpe. Ou que milhões foram às ruas com o intuito de promovê-lo. Perderam tempo e substância tentando vender esta ideia.

Mais uma vez, eu digo. O processo de impeachment é uma infecção oportunista. Entra por uma pequena ferida, um mero arranhão na pele de um Governo, causados por pedaladas aqui e ali, verbas extras acolá, arrepios quase inconsequentes, mas que ferem a lei. Desde o alvorecer da República, vários Governos provocaram estes cortes na própria pele, alguns até consideráveis lanhos em sua epiderme. Quase todos, entretanto, contavam com a vitamina C de sua popularidade, os anticorpos de sua base partidária, a penicilina de seus acertos administrativos. Collor não teve isto. E padeceu da febre que matou seu mandato. A baixíssima imunidade de Dilma, sem apoio popular e político, permitiu à infecção se generalizar. A culpa dessa situação cabe a ela própria. À sua burrice teimosa, ao seu autoritarismo surdo, à sua inépcia administrativa, ao seu discurso com frequentes erros de raciocínio e de vernáculo. Até a pequenos detalhes, como impor à Imprensa Nacional e a seus assessores a asneira gramatical de chamá-la de Presidenta.  Se tivesse um mínimo de autocrítica, renunciaria. Seria o melhor para nós todos e até para ela. Mas, como disse no início, esse não é o seu perfil...

Fiz questão de assistir à votação do Congresso na íntegra. Queria observar as vísceras políticas da Nação. Todos os deputados federais teriam de mostrar sua cara. Era, pois, uma oportunidade imperdível de conhecer quem nos representa.
Em primeiro lugar, um ponto para a solidez das instituições. Noves fora pequenos tumultos no início, a votação foi limpa, livre e de viva voz. Aliás, ponto também para os manifestantes de parte a parte, espalhados pelo Brasil, e sua demonstração ímpar de civismo, tolerância e paz.

Agora, foi espantoso notar que noventa e nove, vírgula nove por cento dos deputados descumpriram a postura regimental de apenas declarar seu voto. Antes, a quase totalidade dos líderes, em seus discursos no pódio, havia também desrespeitado a praxe de não permitirem mais de um orador e coibirem o uso de cartazes e faixas. É assim que vão respeitar outras regras? Posso até entender que um político carregue em seu DNA a volúpia dos holofotes, que uma plateia garantida de dezenas de milhões de espectadores seja um irresistível apelo à palavra, mas alguns, muitos, extrapolaram. E ainda se deram ao luxo de lançar olhares abespinhados a quem, mui justamente, solicitava atendimento ao preceituado, como a dizer transgrido mesmo, e daí?

Outra evidência foi de que, além do Tiririca (que, aliás, portou-se rigorosamente dentro do regulamento), existem vários outros palhaços na Assembleia. Teve um que até espocou um rojão de confetes ao microfone. Meu Deus, quem elege estes caras? Como estes ridículos clowns chegaram até o Congresso? Será pela magia daninha do voto por legenda?

Bem, de qualquer modo, os dados estão lançados. Será que temos alguma coisa a temer?...

Oswaldo Pereira
Abril 2016
  


segunda-feira, 11 de abril de 2016

SALTO NO ESCURO




Quando eu estava no serviço militar, conheci um oficial paraquedista que passara por uma terrível experiência. Na época, o Exército procurava aperfeiçoar as táticas de emprego das forças aerotransportadas, e havia já feito uma experiência de saltos sobre o mar que não acabara bem. A maioria dos paraquedistas chegara à água com seus paraquedas e dois deles tinham-se afogado, enredados nas cordas de seu equipamento. Para o próximo exercício, a ser realizado sobre o mar do Leme e à noite, a recomendação foi que, a uns três metros antes de chegar à superfície, os soldados se desvencilhassem do paraquedas e atingissem a água livres de seu cordame.

Segundo este meu conhecido, ele e seus companheiros foram lançados dos aviões a uma altura média de 300 metros sobre Copacabana, suficientes para a abertura correta do velame ou permitir o recurso ao paraquedas reserva, caso o principal apresentasse defeitos.  O resto era descobrir o momento certo de destravar o ferrolho antes do mergulho. O problema foi exatamente este. Na escuridão, era difícil precisar onde estava a superfície. Assim que ele vislumbrou um tênue reflexo nas ondas abaixo, livrou-se do paraquedas. Mas ele não estava a três metros da água. Estava a trinta. Sobreviveu apenas porque um dos barcos de resgate estava perto e conseguiu recolhê-lo, desacordado, mas vivo.

Estou contando esta história porque, nos meus absortos pensamentos, consegui enxergar uma analogia com a presente situação. Na minha modesta opinião, o PMDB, a Oposição e as legiões que defendem o impeachment largaram-se no espaço cedo demais.

Sob a grave ameaça de parecer repetitivo, volto a dizer que o processo de impeachment, apesar de requerer uma base legal para respaldar seu início, é medularmente um processo POLÍTICO. Se assim não fosse, seu mérito seria definido pelas Cortes, e não pelo Congresso. Se a sua razão para prosperar fosse a correta medida de sua adequação aos princípios da Lei, seriam juízes, e não parlamentares, os detentores da decisão final. Seria o júri, e não o plenário. O argumento, e não o voto.

Desta forma, o sucesso ou a derrota de uma iniciativa de impedimento de um Presidente depende, mais do que qualquer outra coisa, da vontade política dos membros de nossas duas casas legislativas.

E será que eu preciso contar aqui o que inspira um político no nosso atual momento?

São várias as coisas. Mas uma é fundamental. A Sobrevivência. Qualquer pessoa que escolha enveredar pela carreira pública e nela se manter sabe perfeitamente que seu nome jamais poderá se afastar da ribalta das campanhas, dos cargos eletivos, do poder que emana dos mandatos. Um ostracismo involuntário, o afastamento das convenções partidárias, o sepultamento de uma candidatura são o anátema, a maldição que assombra todo político.

E é aí que o Governo vem, nestes dias que antecedem a fase crucial da novela do impeachment, mostrando todo o seu poder de fogo, como canhões na murada de um navio que parecia soçobrar. No amplo balcão onde vende ministérios, diretorias, chefias e que tais, vende também a promessa da sobrevivência para partidos nanicos, deputados de modesto cacife e legendas de aluguel. A cada transação fechada, um precioso voto na hora do desfecho. Saindo cedo demais, o PMDB abriu as vagas para o troca-troca.  

Outro importante fator são as ruas. E o PT parece ter retomado a iniciativa. Só tenho visto bandeiras vermelhas. A formidável manifestação contra a Dilma foi quase há um mês e sua lembrança esmaece-se no consciente de um povo que costuma ter memória curta. Afinal, AGORA é que é a hora. Agora teria de ser o momento das grandes passeatas, das vibrantes convocações, das eloquentes palavras de ordem, de uma ação retumbante da Oposição, dos grandes discursos dos líderes do PSDB, do PMDB e seus aliados. Onde estão os caras pintadas de hoje? Será que pularam cedo demais?

Oswaldo Pereira
Abril 2016


sexta-feira, 8 de abril de 2016

PAPEIS DO PANAMA

Panama papers.

Em outros tempos, a moda era os panama hats, os chapéus panamá, brancos, estivais, com sabor de férias, símbolo mundial do relax e da vida praieira.

Outros tempos...

Hoje, aquela tripa geográfica, quase um cordão umbilical que une as duas Américas, manda mensagens diferentes de um submundo tortuoso de fantasmas empresariais, lavanderias com detergentes poderosos, onde dinheiros de procedências diversas, e perversas, encontram a blindagem do anonimato e a imunização contra os dízimos fiscais.

todo mundo lá. Mandatários, ministros, mecenas, mitos, malandros e magos. Se quisermos continuar na letra M, também lá estão Macri e Messi. Todas as outras letras do alfabeto, entretanto, estão também representadas com alento. São quase 300.000 mil firmas de fachada com o nome romântico de offshores, criadas com o objetivo social verdadeiro de esconder granas do Fisco e protege-las dos olhos dos outros inocentes pagadores de impostos.

Uma grande farra financeira regida pelos maestros da Mossack Fonseca, advogados preferidos por nove entre dez magnatas para gerir seus pés de meia bilionários. Ninguém sabe ainda estimar o tesouro que enche esta monumental caverna de Ali Babá. O abracadabra da denúncia foi apenas pronunciado e já causou a baixa do premier da Islândia. Islândia?!, dirão alguns. Como é possível que naquela pedra de gelo haja corrupção?...

Pois é, amigos. Depois de mais este levantar de véus, que desnuda outra pintura obscena deste mal endêmico, a gente se pergunta. Não serão a ganância, o conchavo, a vantagem espúria, a facilidade comprada açúcares genéticos embutidos nos volteios do DNA humano? 

A ocasião faz o ladrão, já diziam meus bisavós, provavelmente convencidos de que a honestidade pura era uma lenda que morrera com Sir Galahad.

E, por falar nisto, alguém já investigou a fundo a vida de Sir Galahad?...

Oswaldo Pereira
Abril 2016