Nada como um dia depois
de outro. E quatro dias, na volatilidade política do Brasil atual, parecem
quatro décadas.
No dia 12, sábado, eu
escrevera um texto sobre a cutucada da Polícia Federal em Lula, argumentando
que isto poderia ter sido um erro estratégico, dando munição para que ele
montasse seu circo de autolouvor, mestre que é nesse mister.
No dia seguinte, o país
foi às ruas como jamais havia ido. Mesmo tirando pela média as várias contagens,
no mínimo 5 milhões de brasileiros deram um inequívoco recado. Mais do que
indignados com os políticos, estão revoltados com a politicagem. Estão fartos
de conchavos, jabaculês, pixulecos, propinodutos, comissões, arreglos, vantagens, molhamãos,
calabocas, anões, laranjas e outros entes desta antológica farra monumental com
o nosso dinheirinho.
Além do foco principal
da repulsa ter sido dirigido à dupla Lula & Dilma, o grito repudiou todos
os homens públicos que por lá apareceram, numa demonstração inequívoca de que o
desgosto e a raiva são contra a Corrupção, este óleo viscoso e corrosivo que
unta todas as engrenagens do sistema político nacional.
Ao mesmo tempo, e no
mesmo fervor, as manifestações santificaram Sérgio Moro, seus atos e sua
cruzada. Assim, o quadro que descrevi no dia 12 mudava suas cores, diminuindo o
tamanho do palco dado a Lula. Em seguida, a juíza que iria julgar a procedência
legal do pedido de prisão do ex-presidente originado em São Paulo remeteu (quem tem, tem medo) a decisão para Moro.
Mais 24 horas, e tudo muda
novamente. Agora, a meu ver, é a vez do Governo, e de Lula, cometerem um grave
equívoco. Dilma, de convidar seu padrinho para o Ministério. Lula, de aceitar o
convite.
São eles que desta vez
cutucam a onça com vara curta. Esta blindagem,
além de ser um tapa na cara dos milhões que foram vestidos de verde e
amarelo para as ruas de mais de trezentas cidades deste país, e indicar que
Lula deve e, portanto, teme, é um erro de consequências imprevisíveis.
Neste clima, na sexta-feira virão as manifestações petistas de rua, estopim final de uma polarização
perigosa que pode não acabar bem.
Enquanto isto, o Brasil
está parado, estagnado e com a promessa de continuar assim por meses, até que o
tortuoso processo de impeachment rasteje
por um Congresso ferido pela paralisia das denúncias e das investigações que
atingem, além de vários parlamentares, os próprios presidentes das duas casas.
Nunca
antes na História deste país eu vi algo assim...
Oswaldo Pereira
Março 2016






