Que susto...
De repente, uma sensação enjoada de desamparo. Face, Insta e Zap fora do ar! E agora, José?
Esta é a medida da nossa dependência. Coisas que a civilização e o progresso nos foram envolvendo, desde que um troglodita, há 200.000 anos, descobriu a capacidade de duas pedras lascadas, friccionadas rapidamente uma na outra, produzirem fagulhas suficientes para atear fogo num montinho de palha seca. Bingo! A caverna ia ficar agora iluminada e quente. Desde que o estoque de pedra lascada não acabasse...
O internacional apagão de segunda-feira lembrou-me de uma crônica que escrevi neste blog há algum tempo e que fica disponível para quem quiser lê-lo neste LINK. Perca um pouquinho só do seu tempo e confira. Parece-se muito com o soluço das redes do início da semana.
Acostumamo-nos a encarar cada vez mais algumas coisas como certas. Take for granted, como dizem os ingleses. Tudo aquilo que nos traz conforto, bem-estar, prazer e diversão nos faz ficar mais amolecidos e viciados na facilidade, no pronto atendimento de vontades, no gozo de um desejo rapidamente corporificado, a felicidade ao alcance de um controle remoto, de uma internet com sinal potente, da proximidade das redes sociais. Fomos incorporando ao nosso sentido de vida, alegres e deliciosamente maravilhados, os casulos macios que nos estão tornando perigosamente mal acostumados e dependentes. Tempos atrás, minha neta americana de 18 anos indagou perplexa como era possível termos sobrevivido sem o celular...
Mas, fica quase impossível deter a contínua aceleração das tecnologias. E, mesmo que pudéssemos freá-la, quem se disporia a fazê-lo? Já pensou eu ter de escrever este texto à mão, copiá-lo dezenas de vezes, colocá-lo em outras dezenas de envelopes, selá-los e endereçá-los, e levá-los ao correio mais próximo?
Viva o progresso...
Oswaldo Pereira
Outubro 2021






